BRASIL, Sul, MARINGA, Mulher, de 26 a 35 anos, Arte e cultura

 

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    Estradas da vida



    Paraíba ...

    Saindo de um dos lugares mais quentes em que já estive, vim parar em João Pessoa (PB), na casa do meu amigo Adeildo Veira, também músico que conheci no Femucic. Ele me recebeu com todo o carinho e cuidado. Foi me buscar na rodoviária logo cedo, antes das 6h.

    Quando cheguei, fui descansar (viajei ao lado de um moço que roncava e não consegui sequer cochilar). Depois almoçamos e fui encontrar o colega Astier Basílio, que me conduziu pelos primeiros passeios turísticos nesta cidade que eu ainda não conhecia.

    Comecei pelo Centro Histórico da capital paraibana. Achei a cidade muito simpática, sobretudo porque nesta época do ano não está tão quente e, por ser muito arborizada e ter mar, há uma brisa agradável.  Andamos bastante: vi igrejas, o Hotel Globo, praças, a lagoa, as construções coloridas, o Teatro Santa Roza, o prédio da Assembléia (onde Ariano Suassuna nasceu), tudo devidamente registrado em fotos. Logo no primeiro dia já fiquei com a sensação de ter conhecido tudo de turístico.

    Adeildo está de férias, mas nem por isso anda desocupado. Pelo contrário, está super atarefado, gravando um novo CD e dirigindo a gravação do DVD de uma amiga, entre outros projetos. Mesmo assim, tirou um tempo para me levar para passear em lugares incríveis.

    Conheci o Farol Cabo Branco, lugar onde o sol nasce primeiro por ser o ponto mais oriental da América do Sul; a Estação Ciência e Cultura, com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, que gerou polêmica na cidade por não ter sido licitado e por ter sido construído próximo ao mar, que está avançando. Já tinha ido lá com o Astier, mas estava fechado e acabei não visitando.

    Depois também fui conhecer a Fortaleza de Cabedelo e ver o famoso pôr-do-sol na praia do Jacaré, onde um músico criou e patenteou a tradição de, todos os dias, chegar numa canoa tocando o bolero de Ravel no sax. O lugar é um braço de mar cheio de bares que cobram R$ 3 para entrar. Ficamos do lado de fora, já que também seria possível ouvir a música e ver o sol se pôr.

    Percebo que em JP as pessoas cultuam o sol de uma forma diferente, mais romântica. Aqui, ver o pôr-do-sol pode ser uma atração turística. Aliás, quando se visita vários Estados nordestinos na seqüência, já é possível perceber algumas pequenas diferenças culturais entre eles, seja na forma de falar, no cardápio ou nos hábitos.

    O fato é que nordestino, em qualquer lugar, acorda mais cedo, porque 5h já tem sol, assim como 17h o sol já está batendo o cartão e indo embora. Aqui - ao contrário do que ocorre no Ceará - o baião de dois não é refeição obrigatória. A cachaça, paixão dos cearenses, também não é tão consumida. No Ceará, a cachaça é bebida por homem e mulher, novo e velho, sem distinção. E a Ypióca é orgulho do Estado.

    Fora a saudade das minhas duas famílias, a de Maringá e a que ganhei em Juazeiro do Norte, está tudo bem. Tive uns dias depressivos no início, mas fiz um passeio que me trouxe energia. Logo mais falarei sobre ele.

    PS:

    Saí de Juazeiro no dia da eleição. Lá, pela primeira vez o PT elegeu um prefeito, que ganhou com folga. Ele talvez nem tenha comemorado muito, pois seu pai faleceu dois dias antes da eleição. Na estrada, nas inúmeras paradas que fizemos, vi comemoração nas praças e ruas. O nordestino parece se envolver muito com a política. Quase todas as casas tinham uma bandeira, adesivo ou pintura. Em Maringa, Silvio Barros foi reeleito no primeiro turno.



    Escrito por Rachel Coelho às 15h01
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    Diretamente de Juazeiro do Norte

    Hoje fiz um passeio incrível. Fui até Nova Olinda para conhecer a Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri. O lugar foi criado pelo casal de músicos Alemberg Quindis e Rosiani Limaverde, que, inclusive, já participou do Femucic quando este era competitivo. Certa vez o diretor do Sesc Maringá me contou que a grana da premiação ajudou a dar o pontapé inicial nesse projeto que hoje é importantíssimo para a cidade.

    Trata-se de ex-casa mal assombrada que foi restaurada e transformada em um museu super bacana. Também existe uma escola de comunicação aberta a toda a comunidade, com uma rádio própria e monitores das disciplinas de TV, cinema e rádio, além de internet, gibiteca, DVDteca e um teatro belíssimo que recebe diversos espetáculos ao longo do ano.

    Foi aqui que Cacá Carvalho e os atores da Casa Laboratório passaram e ficaram 40 dias fazendo pesquisas para a montagem do espetáculo "O homem provisório", que esteve no Filo em 2006. Também em Nova Olinda a atriz Mariana Ximenes fez laboratório para seu personagem no filme "A máquina", de João Falcão.

    Gostei muito da iniciativa, do lugar e, principalmente, do teatro. Espero ainda ver peças aqui.

    *

    Depois, eu, Ramon e sua mãe, a pequena e adorável Assunção, fomos também em Santana do Cariri, a capital cearense da paleontologia. Visitamos o Museu de Paleontologia e depois não tivemos pique de ver mais nada. O sol estava muito forte. Nem mesmo os cearenses estão dando conta do calor daqui. Aí, voltamos para Juazeiro. Detalhe: no pau-de-arara.

    Em Juazeiro, além da estátua do Padim onipresente, também visitei o Memorial Padre Cícero; o Museu Cívico, na casa em que o padre morou; a igreja dos franciscanos e deu pra ter uma idéia do que é a cidade. Fora isso, estou comendo um monte e sendo super mimada pela família de Ramon. Já ganhei duas sandálias, um perfume, um pijama (porque estava dormindo de vestido e mostrando a bunda, graças ao vento do ventilador) e um short jeans. Resumindo: dei prejuízo!!!!

    *

    Não podia deixar de contar esse:

    tomei um porre em Juazeiro do Norte. Pior: de cachaça. Amigos de Ramon me convenceram de que passar por Juazeiro sem tomar Ypioca não é passar. Tomei três doses (na verdade, a primeira foi de Pitú) e não deu outra. Passei muito mal em casa. Eu já havia tomado um chopp e sou fraca para bebida, mas tenho certeza que a culpa foi do feijão com creme de leite e queijo que havíamos comido antes numa choperia do Crato.

    *

    Sete anos depois, pude ver novamente a Dr. Raiz tocar. Só que desta vez fui no ensaio da banda, que eu conheci em 2001 no Femucic em Maringá. Sem o vocalista Geraldo Junior, que está tentando a carreira solo no eixo e com algumas outras modificações, a banda continua boa, embora esteja diferente. Foi bacana rever a galera, parte deles mais gorda e casada.



    Escrito por Rachel Coelho às 19h16
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    A viagem de Fortaleza para Juazeiro do Norte foi a mais longa possível. O ônibus saiu 7h15 e só chegou 17h30, parando em todos os lugares. A princípio, fui ao lado de um rapaz que me falava sobre o bom humor do cearense. Segundo ele, o Estado revelou nomes como Tom Cavalcante, Chico Anísio, Renato Aragão e Tiririca. Depois disso, uma pastora sentou atrás de mim, cantando durante todo o tempo em que ficou no ônibus. Nossa, como isso me irrita! Mas sobrevivi.

    Almoçamos em Jaguaribe, com paradas em cidades como Icó, Milagres, Brejo Santo, Barbalha e muitas, muitas outras. A paisagem é bonita, mas que cansou, cansou. Pude perceber que as cidades são bem parecidas entre si e em vários lugares minúsculos vi lojas maçônicas.

    Em Juazeiro, estou ficando na casa do meu amigo Ramon, que eu conheço há sete anos. Apesar de a maior parte de nossa amizade ter sido virtual, por internet e telefone, a gente é bem próximo e eu fico tranquila em saber que nada de ruim vai acontecer nessa minha estadia por aqui. A família dele é incrível: a mãe, o pai, os irmãos mais novos e a cachorra Meg.

    Estou dormindo na cama da irmã dele, Carol, que dorme num colchão no chão. Estão me mimando horrores: compraram sorvete pra mim, me empanturram de comida, preocupando-se em me agradar, tanto que até estou ficando mal acostumada. Hoje foi dia de conhecer o principal ponto turístico daqui, a estátua do Padim Ciço.

    Padre Cícero é realmente venerado nessa cidade. No comércio, sua estátua é tida como talismã para que o negócio dê certo. Os políticos também tiram proveito disso. A fé e devoção das pessoas é forte e nessa época já há muitos romeiros por aqui. Em algumas casas há placas escritas "Rancho para romeiros", que significa hospedagem.

    Para quem já subiu o Monte Santo, o caminho para a estátua foi tranquilo. Saímos de casa às 7h30 e o sol já era forte. Aqui amanhece e anoitece mais cedo. Disseram-me que escolhi a pior época do ano para vir, pois é o período mais quente. Segundo eles, só no Piauí vou encontrar calor maior.

    Gostei do passeio e da estátua. Fizemos várias fotos, a partir das quais cheguei a conclusão de que preciso emagrecer. 

    Essas minhas viagens são muito importantes para auto-conhecimento e reflexão. Sei que corro o risco de ser mal julgada pelas pessoas, que me consideram uma vagal, uma perdida no mundo. No entanto, acho que nada disso será em vão. Esse tempo não é perdido. Amizades, amores, conhecimento de vida, de teatro, de jornalismo e tudo o mais são coisas que vão ficar em mim por muitos anos. Se tenho hoje a oportunidade de estar aqui, vou aproveitar. E que se foda aqueles que têm pena por eu estar me divertindo.

    A próxima parada deve ser João Pessoa / PB, mas ainda estou na dúvida. Preciso conversar com o meu amigo Adeildo, para saber se realmente não irei incomodá-lo. Devo ficar pouco tempo por lá, é só pra passar e conhecer, já que vim de tão longe. Aqui, aproveitei a rapadura, a tapioca, o banho frio e incorporei esses costumes aos meus. Na casa de Ramon tem um chuveiro ao ar livre. É uma maravilha tomar banho olhando pro céu.



    Escrito por Rachel Coelho às 20h05
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    Últimas de Guará e outras no Ceará

    Balanço

    Os últimos dias em Guaramiranga foram ótimos. Eu, Fabrício, Angélica e Wellington fomos ao Pico Alto num fim de tarde. Eu estava enlouquecida para ir e acho que valeu a pena. Gastamos dez reais de táxi cada um, a Angélica levou guaraná e biscoito/bolacha e fizemos um lanche, depois de muitas fotos. O passeio foi rápido, cerca de meia hora. Estava nublado e a paisagem, apesar de bela, ainda não estava tão bela quanto poderia ser. Mesmo assim, é um daqueles lugares que fazem com que a gente se sinta mais perto de Deus.

    As peças mais marcantes nos últimos dias de festival foram as do grupo Bagaceira, um dos mais representativos do Ceará. Eu já tinha assistido "O realejo" no Filo e "Lesados" em Rio Preto e, apesar de gostar, não são espetáculos que eu colocaria na minha lista de "mais-mais" do orkut. Os que vi em Guará foram bem mais impactantes: "Meire Love" e a estréia do infantil "Tá namorando! Tá namorando!" (que eu não gosto do título).

    As decepções do festival foram "A ordem do mundo", monólogo de Drica Moraes que encerrou o evento e a mesa-redonda "Teatro no Nordeste nos últimos 15 anos", que não traçou panorama nem informou nada. No mais, foi mais uma grande experiência. Adorei conhecer a cidade, o festival, ver as peças, conhecer e rever pessoas (como os meus queridos amigos Astier Basílio e Fabrício Muriana,que me fizeram rir muito), escrever para um jornal diferente e saber que é possível passar frio no Ceará. Até fondue eu comi, olha que chique!

    Primeiro perrengue

    Ao chegar de Guará, eu e Fabrício ficamos sem ter para onde ir. Esqueci de pegar telefone da Ivina, que havia me oferecido hospedagem. Fomos os primeiros a voltar para Fortaleza e, como o povo ainda deveria estar a caminho, o jeito foi não esquentar a cabeça e resolver isso depois do almoço.

    A única solução para o meu problema seria o Alex Hermes, fotógrafo do festival que eu já tinha conhecido em Quixeramobim (até usei uma foto dele, sem dar-lhe o devido crédito). Ele foi super receptivo e me ensinou como chegar lá. Peguei um ônibus até a rodoviária e ele foi me receber lá. Seu apartamento, onde mora com a mãe (Dona Sueli) é perto da rodô. Fiquei lá três noites e não fizemos quase nada.

    Na primeira noite - domingo - fomos ao Sesc Iracema ver um improviso dançado pelos alunos de Valéria Pinheiro. Na segunda-feira não fizemos absolutamente nada o dia todo. Ou melhor: fiquei lendo a revista Trip, um guia do Ceará que fez com que eu me descobrisse encantada pelo Estado e vendo e escolhendo fotos de Guaramiranga para salvar em um CD pra mim. Nessa noite também tivemos ums discussão por causa da Lia Rodrigues, que deixou um clima pesado entre nós.

    Na terça saí cedo, enquanto Alex dormia. Andei o dia inteiro e encontrei o Alex em dois momentos, quando conversamos normalmente. De noite, resolvi ver "O homem do sol no céu da boca", no Dragão do Mar. Na saída encontrei Vânia e pouco depois Alex chegou. Não sei o que houve desde a última vez que nos encontramos, o fato é que ele estava muito nervoso.

    Disse que não me aguentava mais, que eu não tinha noção, que cansou de ter pena de mim e que era pra eu resolver minha vida e meus problemas em outro canto. No começo até achei que ele estivesse brincando, mas quando vi que era sério, saí determinada a ir para Juazeiro do Norte naquela noite.

    O ônibus demorou e quando cheguei na rodoviária, constatei que não conseguiria viajar naquela noite. Fui para a casa dele tomar banho e arrumar minhas coisas para caçar um rumo. Conversando com a mãe dele, para quem contei tudo, ela me disse que ficasse lá, pois não me deixaria sair naquele horário (mais de 22h) sem ter para onde ir. Alex chegou com cara de poucos amigos.

    No outro dia bem cedo, fui para Juazeiro do Norte com a horrível sensação de ter sido expulsa pela primeira vez na minha vida. Pior: sem saber exatamente o porquê.

     



    Escrito por Rachel Coelho às 19h45
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    Textos

    Depois de muito tentar vender/emplacar matérias de Guaramiranga em jornais e revistas de Maringá, região e tudo quanto é canto do País, consegui - graças à ajuda do amigo Astier Basílio - contato com o jornal A União, de João Pessoa (PB). Segue o link (http://www.auniao.pb.gov.br/v2/index.php?option=com_content&task=view&id=18106&Itemid=35)
    do primeiro texto publicado, um geralzão sobre o evento. Já mandei outros, mas ainda não saíram.

    Ontem vi dois espetáculos, o "Muito barulho por quase nada", do Clowns de Shakespeare (RN), que é maravilhoso e o "Bárbaro", do grupo Ninho de Teatro, de Juazeiro do Norte (CE), que me surpreendeu. Hoje adquiri os DVDs do grupo Dimenti, que foi assunto de muitas rodas de conversa, sobretudo porque foram detonados nos debates pós-espetáculos.

    Quem chegou por aqui foi o Fabrício Muriana (SP), que escreve para a Revista Bacante (www.bacante.com.br). Ele e sua equipe são ótimos, vale a pena ler.

    Vou postar alguns dos meus textos aqui, sei lá pra quê. Rs! E viva o teatro!!!



    Escrito por Rachel Coelho às 11h21
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    Diário de Viagem 4 - Guaramiranga (Ceará)

    Resta dizer que nos meus últimos dias em Fortaleza eu só andei, andei e andei. Quase sempre pelos mesmos lugares. O Dragão do Mar foi um dos meus pontos favoritos lá. Na quinta-feira fui ver um espetáculo de dança num projeto deles, assisti "Sexa" e não curti muito.

    Saí com João para o bar da Fafi e fizemos umas fotos nossas como lembrança, mas ele ainda não me enviou. Adorei o João e a família dele. Sou muito grata pela forma como me receberam, com toda gentileza e carinho.
     
    Guará
    Saí de Fortaleza na sexta-feira de manhã, dia 12, rumo a Guaramiranga. Fui junto com Thiago Arrais e conversamos muito sobre teatro. Foi uma viagem tranquila e, no caminho, passei por duas cidades minúsculas que gostaria de conhecer melhor na volta: Baturité e Redenção, esta última  a primeira do Brasil onde se libertaram os escravos. Lá existe o Museu da Senzala e uma daquelas igrejas no alto de um morro. Adoro esse tipo de coisa.
     
    E por falar em igreja no alto do morro, estamos hospedados em um antigo mosteiro, onde há também uma igreja. A Pousada dos Capuchinhos tem todo um clima religioso, com grandes corredores que ficam escuros de noite, um jardim florido onde todos tiram fotos, missa no domingo e um determinado horário em que os alto-falantes tocam música sacra. Loucura.
     
    O almoço tem sempre o mesmo cardápio, que não é dos mais maravilhosos, mas - como diz o João - "é limpeza". E, como de praxe, o tal do coentro que eu não gosto está sempre presente. Gostoso é sair e pegar os pedacinhos de rapadura de sobremesa, coisa que eu praticamente só como no Nordeste.
     
    A city
    Quando me descreveram a cidade, disseram que ela tinha três ruas. Não foi exagero. A cidade é realmente muito pequena, sequer consegui imaginar onde se escondem os cinco mil habitantes que dizem morar aqui. Mas a propaganda política é forte, os dois candidatos a prefeito investiram nos cartazes e placas, uma delas em tamanho real. Hoje teve comício de um deles.
     
    Guaramiranga foi fundada em 1890. Seu nome, em tupi, significa "Pássaro vermelho". É uma cidade exótica, bastante interessante em seu charme. A economia, que já foi baseada no café, hoje é basicamente mantida pelo turismo cultural e pelo cultivo de rosas, que lhe valem o título de "Cidade das Flores".
     
    Em pleno carnaval, há um famoso festival de jazz e blues. Fora isso, há festival de fondue, de vinho, de teatro amador, entre outros eventos. Você deve estar pensando: fondue no Ceará??? Pois é, é isso mesmo. Guaramiranga é chamada por alguns como "Suíça brasileira". É o refúgio da elite cearense, que sobe a serra para curtir um clima mais ameno, sobretudo de noite. Nesse período, a temperatura noturna tem estado em 18º graus, o que para os cearenses é um frio danado.
     
    O festival
    A estadia tem sido legal, as peças também. Estou um pouco improdutiva, jornalisticamente falando. Não escrevi nada até agora. Acho que o festival podia pensar em melhorar suas questões estruturais, pois o maior teatro daqui, chamado Rachel de Queiroz, ainda tem cadeiras de plástico, coxias muito abertas, entre outras coisas. "Por Elise", espetáculo que abriu a programação em teatro, não teve uma apresentação das melhores aqui, rolou até blecaute. Continuo gostando muito da peça, que já havia assistido em Curitiba.
     
    Outro espetáculo que revi logo no primeiro dia foi "O reencontro de palhaços na rua é a alegria do sol com a lua", da Turma do Biribinha. Maravilhoso. O espetáculo funciona, tem grande apelo popular e o Biribinha é ótimo. Gostaria que eles se apresentassem em Maringá.
     
    Também assisti "Batata!" e "O alienista", dos baianos do grupo Dimenti, que geraram discussões fervorosas nos debates que ocorrem no dia seguinte às apresentações, com a presença de três críticos convidados que não poupam críticas quando não gostam, muitas vezes sendo agressivos, como achei que foram com os baianos. Discussões tensas e das quais é possível tirar muito aprendizado sobre o que dizer e como dizer para um grupo teatral. Definitivamente, eu não tenho vocação para ser crítica e às vezes não vejo importância em ficar discutindo os sentidos das coisas e o entendimento sempre necessário para que uma peça seja considerada boa. Tem coisa que a gente não entende nada e, mesmo assim, parece tão boa! Rs!


    Escrito por Rachel Coelho às 14h45
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    Diário de Viagem 3 - Quarta-feira

    O pai de João, advogado, me ofereceu uma carona até o centro. Saí de casa cedo rumo ao Teatro José de Alencar. Chegando lá, estava rolando um ensaio aberto da orquestra municipal, com a presença de estudantes de escolas públicas que participam de um projeto cultural. Tinha um palhaço fazendo graça e explicando algumas coisas. Duas turmas também subiram ao palco para cantar, tocar e interagir. Me pareceu um projeto importante, bacana e que surte efeitos.

    Depois fiz uma visita guiada pelo teatro, que é bonito, antigo e um dos principais pontos turísticos de Fortaleza. Em seguida, saí para andar pelo centro, que não é dos mais legais. Vi praças, como a do Ferreira e General Tibúrcio; igrejas; o Museu do Ceará e o Mercado Central, que é um dos mais legais que já vi. Não paguei para entrar em nada, o que também é muito bom, pq achei que ser turista aqui seria mais caro.

    O Mercado é gigante, tem três andares, muitos produtos, muitos deles iguais, inclusive. Enlouqueci com os vestidos e colares de semente, mas consegui sair sem comprar nada, porque a viagem está só começando. Foi lá que almocei e, digamos, não foi das melhores opções. Depois, fui ao Dragão do Mar encontrar Amanda, mais uma que pirou n"Os Sertões" e com quem eu só falei depois, via orkut e MSN. Fomos nos conhecer.

    Foi bacana, a gente já se falava bastante no mundo virtual. Pegamos um ônibus e fomos até a Praia do Futuro, lugar lindo. Essa relação do cearense com a praia foi uma coisa que me espantou. O cearense, ao contrário do carioca, não vai a praia de sua cidade. Nem durante a semana, nem aos finais de semana. A Praia do Futuro é a única da cidade que é indicada para banho e, ainda assim, fica quase vazia.

    Há perigo de assaltos nas praias, pois sabe-se que quem estiver lá é turista. Não há vigilância. No final de semana, se querem curtir o mar, vão para Canoa Quebrada, Jericoacoara e outras. Um desperdício de mar. E certas referências me lembram Fagner, que as canta em músicas, como Mucuripe, Aldeota (um bairro) e a própria Praia do Futuro.

    Depois de voltar imunda para casa (andei o dia todo e só cheguei depois das 19h), esperei João chegar e fomos na casa de uns amigos dele. Fiquei lá só ouvindo, conversando pouco e bebendo pouco. Logo voltamos, fui ver um curta que João fez, chamado "9 meses" (que não entendi e, segundo ele, não era para entender mesmo, pois era uma viagem experimental), fui pra minha rede.

    Hoje, quinta, ainda não defini minha programação.

     



    Escrito por Rachel Coelho às 11h09
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    Diário de Viagem 2 - Terça-feira em Fortaleza

    Terça-feira, 10 de setembro

     

    Acordei às 5h, me arrumei, voltei a deitar, acordei, desci, fechei o quarto sem pagar as águas que consumi (o cara não perguntou e, na boa, seis da manhã eu nem ia lembrar) e fui para Guarulhos. O vôo não atrasou. Sentei entre vários mórmons, alguns deles bem bonitinhos. Norte-americanos recém-chegados ao País, os meninos puxam papo com todo mundo para treinar o português. Deve ser tipo o Well na França. Fiquei conversando com o mocinho ao meu lado, o mais bonitinho deles, e quase me deixe converter.

     

    Eu sempre tive curiosidade sobre o mundo dos mórmons e fiz várias perguntas a respeito. Acabei conversando até com outros meninos a respeito disso e como todos declararam que “O livro dos mórmons” mudou a vida deles e este pode ser adquirido gratuitamente, ligando num número 0800, decidi que quando chegar em Maringá, vou pedir um livro também.

     

    A viagem foi tranqüila. Chegando no aeroporto de Fortaleza, fui ligar para o João Luiz. O João é fotógrafo, trabalha no jornal Diário do Nordeste e nos vimos em Canudos, na temporada de “Os Sertões”. Ele foi um dos que pirou nessa história. Na verdade, a gente quase nem se falou. Só sei que ele fez uma foto que mexeu com a cidade de Quixeramobim, principalmente porque foi bem aproveitada pelo editor do jornal, jogada na capa, bem grande, embora a matéria fosse bem pequena, quase uma foto-legenda. Zé Celso estava pelado na ponte metálica de Quixe e a luz laranja fazia parecer que ele estava pegando fogo.

     

    O fato é que João fez também a foto em que eu estou sendo marcada como gado. Aquela em que aparece a minha bunda e que eu só achei bem depois na internet. Acabei o adicionando no MSN para pedir que me enviasse o arquivo e daí a gente teve alguns papos superficiais depois. Quando pintou a idéia de ir a Guaramiranga, comentei com toda a minha galera de lá e ele era a pessoa que eu mais encontrei online e se ofereceu para me hospedar. Aceitei e tem sido ótimo.

     

    O pai dele foi me buscar no aeroporto. A família toda tem sido muito receptiva. Quando ele chegou da faculdade, na hora do almoço, fomos almoçar e veio a primeira novidade: comi o famoso baião de dois, arroz e feijão feito juntos. Gostei.

     

    Depois ele me levou para o Diário, onde conheci a redação e reencontrei o meu amigo Magela Lima. De lá, peguei um ônibus para o Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, onde combinei de rever meu amigo Thiago Arrais, também fruto da temporada de “Os Sertões”.

     

    O Dragão do Mar é um lugar bonito, legal, com muita programação cultural. Eu já tinha ouvido falar e era um dos lugares que eu mais queria conhecer em Fortaleza. O papo com Thiago também foi ótimo e durou até a noite, no Café Santa Clara, no Dragão. Lá eu tomei um café vienense calórico, doce e muito bom.

     

    Voltei pra casa, matei a saudade dos banhos frios do Nordeste e cometi minha segunda extravagância: dormi em rede. Esse hábito é muito comum por aqui, as casas já são construídas com aquele ganchinho. Eu achei que não conseguiria, mas foi uma maravilha. Estou até pensando em comprar um rede e passar a dormir sempre nela. O vento de Fortaleza também é incrível. Faz com que o calor seja mais suportável e, de noite, até bate um friozinho.



    Escrito por Rachel Coelho às 10h54
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    Diário de Viagem 1 - Maringá - SP - Fortaleza

    Domingo, 7 de setembro

     

    Saí de Maringá com destino a Sampa, num ônibus da Kaiowa. Viajei ao lado de um ótico e tivemos uma conversa estimulante sobre lentes, armações, preços e as dificuldades na vida desse profissional.

     

    Segunda-feira, 8 de setembro

     

    Chegando em SP, achei que sabia encontrar o Hotel Caravelas, onde ficamos durante a Virada Cultural. Descobri que meu senso de localização é pior do que eu imaginava, pois se era para eu seguir em linha reta, dei voltas e voltas para chegar. Seria ótimo andar por ali se eu não estivesse com o meu mochilão de dez quilos.

     

    Quando cheguei, pude constatar que o hotel, que estava em reforma quando visitamos pela primeira vez, já estava pronto e bem bacaninha, numa ótima localização, quase esquina com a Avenida São João. Tinha até secador de cabelo no banheiro e um chuveiro daqueles que me fez tomar quatro banhos em um dia.

     

    Pena que segunda-feira é uma merda para os turistas. Tudo fecha e é praticamente um dia perdido. O que eu fiz foi encontrar Ítalo, o garoto perdido, e pegar de volta o meu filme favorito, que havia emprestado a ele. Também encontrei um amor do passado, que havia ficado na vontade e se concretizou.

     

    Depois fui caminhar e dar voltas pelo centro paulista. Acabei comprando uma armação de óculos azul, num camelô. De noite, vendo TV, do nada começou a passar a minissérie “JK” e até hoje não consegui entender aquilo, mas assisti. Foi durante o horário eleitoral e em plena Globo. Fiquei me perguntando se a televisão mudava sozinha de canal e estava programada para fugir dos comerciais ou se foi tipo um boicote político. Como não vi nada nos jornais no dia seguinte (não que eu tenha procurado), concluí que foi só comigo mesmo que aconteceu aquilo.

     

    Depois começou a passar o “Vôo 93” na Tela Quente e eu achei que não era uma boa opção para assistir às vésperas de uma viagem de avião. Dormi.



    Escrito por Rachel Coelho às 10h41
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    Eu já fiz cinema ...

    Ontem eu fui assistir ao filme nacional “Era uma vez”, segundo longa-metragem de Breno Silveira (diretor do campeão de bilheteria “Dois filhos de Francisco”).  Estava tudo bem, até chegar ao final. Cara, que viagem naquele roteiro!

     

    O filme foi vendido pela mídia como um “Romeu e Julieta da favela”, então já dá para ter uma idéia do final. O problema mesmo é como as coisas se encaminham, com o protagonista viajando legal na maionese. Surreal. Saí indignada do cinema. Como é possível estragar mais de uma hora de filme em apenas cinco minutos ...

     

    O protagonista é Thiago Martins, ator revelado pelo projeto cultural Nós do Morro, na favela do Vidigal.  Eu gosto dele. Menino bonito, corpo sarado, batalhou para conseguir o papel porque se identificava com o personagem. Acho que fez bem, assim como a mocinha, vivida pela estreante Vitória Frate. 

     

    As imagens trouxeram uma saudade danada do Rio de Janeiro. E depois ainda saí com o meu amigo Tico, com quem morei na Cidade Maravilhosa. Tivemos um papo super nostálgico, relembrando as nossas histórias e rindo muito.

     

    *

     

    Um dos assuntos que temos comentado bastante com os amigos foi a nossa participação no longa “Os Desafinados”, de Walter Lima Jr, que está para estrear por aqui.

     

    Pois é! Eu já fui figurante! E digo mais: foi uma puta experiência. Foi assim que descobri que o mau humor é um ingrediente básico nas pessoas que estão por trás das câmeras (e, às vezes, das que estão na frente também). Cafés e fitas coloridas também são importantes e nunca podem faltar.

     

    O fato é que figurante são aquelas criaturas que apenas passam de um lado para o outro nas cenas, para dar uma sensação de “realidade”. Em alguns casos, eles também levam porrada. Tipo eu.

     

    Fui para o Rio sem pretensões artísticas, mas acabou tendo espaço e dando certo essa boquinha, que eu quis aproveitar para estar mais perto do mundo da sétima arte. Fiz um cadastro, tirei foto na agência e rolou.

     

    **

     

    Dia das Mães. Chegamos às 16h num campus da UFRJ. Esperamos um monte. Depois, a troca de roupa. Uma saia xadrez e uma blusa de véia. Tico usou uma calça quase boca de sino e uma camisa. Atuaram Cláudia Abreu, Ailton Graça, Alessandra Negrini, Selton Melo, Jairzinho e Ângelo Paes Leme. Chamou a atenção a simpatia do Ailton Graça, que cumprimentava todo mundo. Ele tinha acabado de interpretar o Feitosa em uma novela das oito.

     

    A cena era a seguinte: em um teatro de arena, estava rolando um show em homenagem ao personagem do Rodrigo Santoro, um dos “desaparecidos” do regime militar. Claudia Abreu cantava e chorava e, de repente, baixava a polícia socando todo mundo. A cena foi filmada diversas vezes, muito por conta da falta de colaboração dos inúmeros figurantes, que faziam barulho. Claudia Abreu já estava puta, mas sempre repetia a cena com concentração e chorando horrores.

     

    No intervalo, fila pra comer, buffet diferente pros figurantes e bem ruinzinho. Na minha vez, acabou o rango e tivemos que esperar chegar mais. Depois disso, fui tietar o Selton Melo, porque acho ele fodão. Tirei uma foto com ele e trocamos algumas palavras do tipo “de onde você é?” e outras coisas sem importância. Foi o máximo. Rs!

     

    Lá pelas cinco da manhã (lembram o horário que nós chegamos?), só metade dos figurantes estava no local. Os que ficaram até o fim ganharam 50% a mais - que deu tipo um cachê de R$ 60 -  e gravamos o áudio da canção que até hoje tentamos lembrar. Ficaram apenas algumas palavras finais que rimavam. Algo tipo: “você pegou em minha mão e .... meu coração. ... a vida assim é bem feliz, quando se diz não à razão”. Tipo isso, mas pode ser que não seja nada disso. Depois de mais de 12 horas disponível, não ia dar para lembrar da letra.

     

    O fato é que foi bem engraçado, nos divertimos, ganhamos um dinheirinho e conhecemos uma galera de Maringá por lá. Combinamos de ver o filme juntos, pra rir e, claro, pra saber se vamos aparecer. Gente, eu fiquei bem atrás do Ailton Graça ... hehehehe!

    Escrito por Rachel Coelho às 20h34
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    Protesto?

    Na sexta mesmo já saí para beber (coca) com os amigos Thiago, Ju e Ju Damno. Conversamos, falamos mal do mundo, rimos e ficou tudo bem.

    No sábado e domingo, fui para o 5º Festival Unipar de Teatro, em Umuarama, para o qual eu já havia sido convidada. Assisti mais uma vez "Café com queijO", do Lume, úm dos trabalhos que mais me comovem. É uma montagem maravilhosa que eu espero trazer para Maringá em breve, em um dos nossos festivais. Já fiz contato com o produtor deles, um menino gente fina. Aliás, até o ajudei a retirar as fotos do mural.

    Domingo vi "Vozes Dissonantes", com a Denise Stoklos. Fazia tanto tempo que eu tinha assistido a um trabalho dela ("Desobediência Civil", em 97, salvo engano), mas parecia ser a mesma peça.  No sábado, eu acompanhei uma entrevista e falando ela tem as mesmas pausas, os mesmos gestos ... uma figura interessante.

    O festival me fez bem. O clima, o contato com as pessoas e o fato de ser um festival pequeno, em uma cidade pequena, que muito me estimula em meus projetos. Falar da profissão com jornalistas também muito me ajudou. Idéias, apoio moral, incentivo. Obrigada, galera.

    **

    Sim, pois essa demissão me pegou em um momento péssimo. É nessas horas que eu acredito na tal lei da atração. Parece que ela é mais forte para as coisas ruins do que para as boas.

    Fazia tempo que eu não ficava deprê, coisa que era bem comum em mim quando não trabalhava. De uns tempos para cá, mesmo com muito trabalho, eu ainda estava com tempo para pensar besteira e sofrer por (mais) um relacionamento fracassado.

    E eu pergunto: por que os homens insistem em sumir sem dar notícia, mesmo quando está aparentemente tudo bem? Mesmo quando se pede para que eles não façam isso? Mesmo quando existe a possibilidade de manter uma amizade e, quem sabe, até um vínculo profissional?

    Morte aos homens que fogem.

    **

    Ah! Hoje tem mais despedida.

    Saem do O Diário o infografista Geordano Thomaz, o editor de imagens Ivan Amorin, a editora de suplementos Dayse Hess. Ah! E o editor-chefe, Wilson Marini. Todos por vontade própria. Lembrando que, no começo do mês, saiu também o chefe de reportagem, Rodrigo Parra, que foi pra Bahia.

    Desde quando entrei, já nem me lembro de quantas pessoas eu vi passar por ali. Para citar só algumas:

    Rogério Fisher, Alan Maschio, Edvaldo Magro, Marcelo Bulgarelli, Edna Mendes, Luiz Bartelli, Cleber França, Sandra Slevinski, Henri Jr, Valter Tele, etc, etc.

     

     



    Escrito por Rachel Coelho às 16h57
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    DRAMÁTICA

     Na última quinta-feira, saí com a Ju e o Thiago para olhar apartamento. Vimos dois, o primeiro bem podre e o segundo, o dos meus sonhos. Na sexta de manhã, cheguei com a difícil missão de encontrar um fiador para a locação. Hoje em dia, essa é quase uma missão impossível. Além de ter boa renda, é preciso ter imóvel no nome e confiar bastante naquele a quem se presta o favor de fiar. Passei uma parte do dia perguntando a todos os colegas se gostariam de fazer isso por mim.

     

    Depois de cumprir as cinco pautas das edições de sábado e domingo, por volta das 17h30 sou chamada para uma conversa a sós com o editor-chefe. Peguei meu bloco de anotações e fui. Mal sentei, ele foi curto e grosso: “seu contrato de experiência venceu e não vamos renovar. Queremos reestruturar o caderno de cultura. Pode assinar esse papel e ficar com uma via para você, por favor. Alguma pergunta?”

     

    **

     

    Acho que não preciso dizer que meu desejo de morar sozinha vai ter que esperar mais um pouco, né? É por que agora, achar fiador passou a ser apenas uma das dificuldades. Ainda estou naquela fase perdida de não saber para onde ir e nem o que fazer para ganhar dinheiro.

     

    Fiquei triste, claro. Logo que saí da sala, dei de cara com o meu (atual) editor, o diagramador e o chefe de reportagem. Mostrei o aviso e chorei.

     

    Acabou ali um ciclo, uma trajetória de dois anos, que me permitiu aprender muito, crescer como pessoa e profissional, descobrir mais de mim, fazer amigos, enfim. Tudo isso fica. A raiva, a tristeza e a mágoa, se Deus quiser, passam. E bola pra frente.



    Escrito por Rachel Coelho às 16h44
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    DESASTRE – Ontem meu celular caiu da bolsa e ficou no chão do quarto, abandonado. Também esqueci os óculos em casa e isso contribuiu para o meu dia – que já é complicado, toda sexta – ficar mais difícil ainda. Apesar de não serem de alto grau (0,75), é sempre ruim passar o dia em frente de um computador sem eles.

     

    PERDIDA – Para piorar, saí do jornal às 19h com dois ingressos para ver “Pinocchio”. Não tive tempo de ligar convidando ninguém e o pessoal que convidei na redação não se interessou. Como os ingressos custavam R$ 60, não quis desperdiçar e fui para o Calil. Ou tentei.

     

    DESCONHEÇO – Eu já tinha noção que não sabia andar de carro na cidade, mas não imaginei que fosse tanto. Com a chuvinha que caía, o vidro do carro ficava embaçado e eu enxergava pouco. Depois de muita barberagem, típica de quem ainda está com a CNH provisória, percebi que eu não ia conseguir chegar ao teatro. Morri com R$ 120 no bolso, sabendo de várias pessoas que ficariam felizes em ganhar este ingresso.

     

    ESQUECIDA – Voltei para casa e, pouco depois, um amigo me ligou perguntando do Convite ao Teatro. Ontem foi a estréia do mês, com “Andarilhos de cordel”, da Cia. Pedras. Eu havia esquecido completamente, assim como esqueci uma reunião que marquei na terça para discutir o nosso projeto cultural.

     

    MARINGÁ – O legal do meu trabalho é que eu consigo acompanhar algumas coisas bem de perto. Percebo que Maringá, ao contrário do que muita gente diz, tem coisas acontecendo sim. De quantidade até que não dá para reclamar. Qualidade é outra história. Nem sempre falta pauta de eventos, o problema é que a gente gostaria de algo mais.

     

    PRESENÇA – Maringaenses estão em todas. Gosto de descobrir personagens da cidade que tenham saído para fazer arte em outros lugares. Já achei uma moça que trabalha com produção de arte em cinema e trabalhou no último Hulk (nas filmagens do Rio) e em “Era uma vez”, o novo de Breno Silveira.  Achei atrizes e ator em São Paulo, em grupos legais. Ator na França. E, dos que ainda estão na cidade, uma que foi contemplada por bolsa da Funarte e uma que está participando de uma competição no orkut, na nova ferramenta do Diário Celular. Tudo, claro, vira matéria.



    Escrito por Rachel Coelho às 16h07
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    Gente, há quanto tempo que não escrevo aqui ...  A última vez que escrevi eu ainda tinha 26 anos ... rs!

    ...

    Hoje assisti "Carne trêmula", do Almodovar. Agora estou ouvindo o novo CD da Roberta Sá e me lembrei do primeiro show do Fama, quando ela levou um tombo feio de se ver. Programa ao vivo, um mico né? E lá ela não deu certo, mas quando saiu foi uma das que mais fez sucesso. O vencedor daquela edição, um tal de Marcos Vinicius, nunca mais ouvi falar. Enfim ... olha cada lembrança? Típico de domingo. Sempre me lembro de coisas estranhas no domingo.

    Aliás, outra coisa que eu preciso parar de fazer aos domingos é dormir demais. Fico com o corpo doendo de tanto ficar na cama. Deixo a preguiça me vencer... rs! Mas é que as semanas têm sido muito, muito cansativas.

    O stress tá dobrado porque estamos elaborando um projeto pra concorrer ao edital da lei municipal de incentivo à cultura. Muito trabalho, muita burocracia e muitas diferenças de opinião com os colegas que estão trabalhando comigo. Mas, se Deus quiser, vai dar tudo certo e sair um projeto super legal pro ano que vem. Posso adiantar que tem a ver com teatro...

    E esse final de semana rolou o show do Chá de Chocalho, banda londrinense que faz um trabalho bem bacana. Fui nos dois dias e gostei muito, pena que no primeiro estava bem vazio. Esse show era pra ter rolado no mês passado, eu até estava ajudando na produção, mas aí foi cancelado e eu acabei ficando sem tempo pra continuar com eles. Quem quiser saber mais da banda, entra no www.chadechocalho.com.br 

    Aliás, coisa boa esse negócio de internet, meu. Fico pensando em como as pessoas passaram tanto tempo vivendo sem isso. Tá, típico raciocínio jovem de quem já chegou com isso aí, pronto pra usar. E olha que eu peguei o começo dos computadores, com a tela preta e letrinha verde ... como chamava? MS-DOS ... dizem que na Folha de Londrina ainda se usa esse programa.  Inacreditável, né? Rs!

    É que eu valorizo muito as facilidades de comunicação e informação trazidas pela internet. Pessoas com quem só falo pela internet, de todos os lugares do país e até de outros países. É tudo tão mais fácil e rápido. Tá, eu admito: sou viciada em internet!



    Escrito por Rachel Coelho às 21h23
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    FILME - Ontem eu passei por um momento que me lembrou o comecinho do filme da Amelie Poulain. Estava arrumando a minha agenda de telefones, que fica num arquivo no computador, quando vi o nome e telefone de Austregésilo Carrano. Eu deveria ter apagado / deletado, mas não consegui (ao contrário do que ocorre no filme, em uma cena rápida).

    PRESENTES - Por falar em filme, hoje ganhei "Hair" da minha irmã. Apesar de já ter ouvido falar muitas vezes, ainda não assisti esse musical. Programa para o final de semana. Se der tempo. Também ganhei - da minha mãe - um relógio de pulso e um daqueles quadros para colocar fotos. Mania de dar presente antecipado.

    VIAGEM - Hoje fiquei pensando: fui contratada no dia 02/06. Se daqui exatamente um ano eu estiver no O Diário e tirar férias, quero curtir uma festa junina no Nordeste. Sempre quis. (A coisa mais difícil de ser contratada vai ser ficar sem poder viajar). É, então, Ansiedade é o meu sobrenome.

    LEITURA - Há pouco tempo, pedi ao Ramari que me emprestasse o livro Jornalismo Cultural. Não sei porquê, mas eu ainda não havia lido esse. Fiquei me sentindo uma tosca por ainda não ter lido os clássicos, não ter visto os filmes mais importantes, não acompanhar os suplementos literários do Brasil e do mundo. Estou longe ...

    FOBIA - Passo mal quando entro em livrarias e bibliotecas. Fico deprimida. Ali eu percebo o quanto sou ignorante, o quanto ainda me falta. Minha ignorância se agrava quando em contraste com a profissão que eu escolhi seguir. E olha que eu ainda não sou das piores... mas isso não me serve de consolo.

    PAUTA - Se você tem uma sugestão de pauta fria para um caderno cultural maringaense, mande para mim. Não é todo dia que a gente consegue bolar alguma coisa legal.



    Escrito por Rachel Coelho às 22h16
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